sexta-feira, 29 de maio de 2015

UM "FELIZ SEM FINAL" PARA MIM




O tempo se arrasta lentamente em minha vida
E o passado distancia-se cada vez mais.
O futuro aos poucos se descortina
E quando olho o presente em minhas mãos
Vejo que tudo aquilo que sonhei
Todas as coisas que ardentemente desejei
Vão-se embora com o tempo que passa
Transformando o meu futuro em pesar.

Hoje relembro as emoções do passado
Como cenas de um livro de fantasias
Onde o príncipe sempre se casa com a princesa
E os dois vivem felizes para sempre.
E me pergunto: Onde está o meu “para sempre”?
Onde está o final feliz da minha história?
Não vejo fadas, encantos ou canções
Apenas uma realidade que me assalta.

Então, se não posso mover o tempo
Se não posso transformar a minha história
Em um eterno momento do passado
E colocar nela um “feliz sem final”
Talvez eu deva esquecer o que passou
Refazer o meu caminho, reconstruir minha vida
E me acostumar com o fato triste
De que nunca mais terei você para mim.


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FELIZES PARA SEMPRE




Se você fosse um copo meio vazio
Ou meio cheio, tanto faz
Eu seria a água do amor
E te completaria.
Eu encheria os teus espaços
Aplainaria o teu coração
E me esparramaria como se você
Fosse uma coberta macia
A me aquecer durante o frio.
Se você fosse somente minha
Eu jamais te abandonaria
Mas viveria para sempre em você
Como um sonho sem fim
Como o tempo que jamais acaba
E lhe dedicaria sem cessar
Os meus pensamentos
As minhas palavras
Os meus sentimentos
E todo o meu ser.
E se eu fosse teu, o que faria?
Apenas me entregaria
Depois me autoescravizaria
Eternamente preso aos grilhões
De um amor que liberta
Eternamente rendido
À paixão que me consome.
Sim, eu seria completamente
Teu e de mais ninguém
Porque quem ama é fiel
Seja no doce, seja no fel
Seja distante, ou seja perto
Seja preso ou liberto
Quem ama, ama pra valer.
Então vem me preencher
Porque meus espaços te precisam
Porque desejo preencher
Tudo de melhor que há em você
E só assim, eu sei
Seremos felizes para sempre.


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

É SÓ O FIM

É só o fim


Eles correram para o meio do mato
Estavam de pés descalços
Suavam frio
Estavam desesperados.

Os espinhos feriram sua pele
Mas não podiam parar
Era preciso se esconder
Era preciso se ocultar.

Pararam debaixo de uma árvore
Seus corações acelerados
Trocaram olhares vazios
Palavras ditas sem razão.

O que fazer agora?
O que vai acontecer?
O seu passado eles conheciam
Eles não queriam morrer.

Uma arma contra o peito
Nada além do som do vento
E num momento de aflição
As lágrimas começaram a cair.

Que vida é essa que escolheram?
Tudo em volta agora é caos
Seria possível voltar atrás?
Seria possível acordar?

Relembraram a sua infância
Quando gostavam de soltar pipa
De jogar bola ao fim da tarde
De ir a Igreja no domingo.

Relembraram as escolhas
E as decisões erradas
E agora escondidos em seu vazio
Tinham medo do destino.

O latido dos cães ecoou
Sirenes e passos decididos:
“Eles estão escondidos aqui
Agora eles não escapam”.

Os dois correram apressados
Como que fugindo do inferno:
“Meu Deus, que vida escolhi
Senhor salva a minha alma”.

Os tiros dados em meio à mata
Selou aqueles dois destinos
Baleados pelas costas
Sentindo o sangue na garganta.

A família soube depois
E foram poucos os que choraram
A justiça não investigou
Viraram apenas estatística.

A infância trocada
Por uma lata de cola
E o futebol no fim da tarde
Por uma pistola 380.

O futuro soterrado
Sobre os escombros da mentira
Que vida é essa?
Que fim é esse?

Morreram abraçados
E pediram perdão a Deus:
“Salve nossos amigos
Enquanto eles ainda têm tempo”.


Mizael de Souza Xavier

26/02/2014

17:38hs

CHUVAS E PEDRAS




No exato momento em que parei para pensar
Sobre todas as coisas que vivi
Eu nem podia imaginar
Que as lembranças fossem bombas
A explodir em minha mente
Em meio à guerra que há em mim
Então me pus a chorar.

E quando as lágrimas começaram a escorrer
Molhando o caminho por onde eu passava
Percebi que sementes germinavam
Dos sofrimentos que passei
E então assim eu pude entender
Que por mais insana que a vida seja
Sempre haverá frutos para colher.

O que plantei lá no passado
Talvez tristezas e desilusões
Talvez sonhos que jamais realizei
Hoje me encaram e denunciam
Que valeu a pena cada passo que foi dado
Porque mesmo que eu tenha me machucado
O importante é que do caminho
Eu jamais desisti.

Eu quero cantar quando a chuva cair
Quanto o temporal se abater sobre mim
Festejar cada lágrima que rolar
E a noite eu vou dormir tranquilo
Sabendo que as flores se abrirão
E todas as cores e perfumes
Hão de colorir o meu jardim
Por isso insisto em continuar
Por isso insisto em acreditar.

Um dia no rio da desesperança
Lancei a rede e pesquei tormentos
Coisas que me feriram a alma
E agora que recobrei a consciência
E navego pelo mar que um dia rejeitei
Não olho para as grandes ondas
E nem para os tubarões
Porque sei onde quero chegar.

E no momento exato em que eu pôr os pés
Na areia molhada da praia
Saberei do que já sabia:
Que embora o mundo lhe atire pedras
Você pode sobreviver a elas
Mesmo que as pedras sejam você
E que basta apenas ter fé
Para lutar e para vencer.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ciúme não é sinônimo ou prova de amor!





O ciúme é um terrível mal que assola os relacionamentos, causando dor, amargura e morte. Muitas teorias já foram levantadas, vários questionamentos já foram feitos e muitos apontam o ciúme como sendo algo normal, algo que faz parte de todo e qualquer relacionamento, ou ainda um indicativo de que o amor está presente e se manifesta através do “cuidado” que o ciúme demonstra. Creio que o ciúme pode ser, acima de tudo, patológico, uma doença que necessita de urgente cura.
Mais do que qualquer outro fator existente, quer direto ou indireto, objetivo ou subjetivo, o ciúme é um câncer que aos poucos corrói qualquer relacionamento amoroso, desgastando-o e tornando-o nocivo aos amantes. Em um mundo de disputas, de necessidade de afirmação, de banalização da vida, do sexo e da paixão, o ciúme é mais que um sentimento indesejável, é uma arma constantemente apontada e engatilhada, ameaçando os corações. Os que brigam, se separam e matam por ciúme deveriam repensar suas atitudes e as motivações que as precederam, percebendo o mal que causam a si mesmo e ao ser amado. Existem ainda aqueles que ainda se orgulham de ter ciúmes e julgam com isso ajuntar honras dobre suas cabeças.
Além disso, existe aquilo que se pode chamar de “ciúme maldoso”. Neste caso é freqüente que um dos parceiros induza o outro ao ciúme numa clara demonstração de auto-afirmação. Ele precisa mostrar para si mesmo que é amado e que tem o outro sob controle. Talvez isto não parta diretamente de uma insegurança de si e do outro, mas de uma clara prepotência, de uma demonstração de superioridade.
Por tudo isso, o ciúme não deve causar orgulho, mas tristeza e um cuidado extremo, porque ele engloba três pontos negativos:

Insegurança decorrente de baixa auto-estima

Quando o amante ciumento percebe que outro indivíduo aproxima-se de seu par, vê aí um sinal de alerta, de perigo iminente. Isto acontece porque ele enxerga no outro um adversário em potencial, alguém com qualidades superiores às dele que poderá fazer com que o ser amado lhe dê preferência e o abandone. O ciumento pensa nas qualidades físicas (ele é mais bonito e mais forte que eu...), intelectuais (ele é mais inteligente, mais desenrolado...) e sociais (ele é melhor do que eu porque possui um carro, se veste melhor...). Por não se valorizar, acha que também não será valorizado por seu par e por isso fica alerta. Ele não compreende, porém, que esta guerra só existe em sua mente e na alucinação compulsiva causada por seu ciúme doentio.

Desconfiança baseada num conhecimento insuficiente do ser amado

Deste modo, ele julga seu par e desconfia de cada olhar seu, de cada conversa com amigos, de cada momento a sós com qualquer pessoa. Todas as palavras e atos proferidos passam por uma peneira de preconceitos que não deixa escapar nada. Cena comum: o casal está numa praça namorando. A moça olha para o lado e fixa os olhos em algum ponto aleatoriamente. O rapaz logo pergunta bravo: “Está olhando pra quem?”. Ele não está querendo com isso dizer: “Estou com ciúme do seu olhar”, mas “Desconfio que você está me traindo, paquerando com outro”. Desconfiando assim, desconfia-se também de que o amor que o outro diz sentir é falso, pois quem ama não trai. Quando amamos alguém e sabemos que este alguém nos ama, devemos estar seguros de sua fidelidade.

Sentimento de posse

O amante trata o ser amado como um objeto de uso exclusivo seu. Não como uma pessoa, um ser humano com necessidades físicas, emocionais e espirituais, mas como um “móvel” adquirido com nota fiscal e termo de garantia. Não permite-lhe sair com amigos e/ou amigas, freqüentar certos lugares, usar certos tipos de roupas, trabalhar, falar ao telefone... Será que isto é amor? Será que o amor pode sobreviver a isto? Alguns dirão: você não disse que o amor jamais acaba? Sim, o amor jamais acaba, mas a capacidade do ser humano de amar é limitada por diversos fatores e o ciúme é um deles. O amor continuará existindo, esperando as condições favoráveis para crescer e se multiplicar. O ciúme funciona como uma erva daninha num jardim, matando as plantas, as flores. Ou pior: como uma doença que afeta o botão antes que este se abra em flor.

Até mesmo as pessoas que jamais sentiram amor por alguém podem sentir ciúmes de outras pessoas, quer sejam amigos, parentes ou amantes. Nas palavras do doutor Flávio Gikovate:

Elas têm medo de perder os privilégios associados àquele parceiro. Temem perdê-lo até mesmo porque se sabem más companhias, sempre dispostas a levar vantagem e quase nunca disponíveis para agradá-lo.[1]

         O ciumento geralmente não vê a pessoa amada como alguém que deva respeitar suas individualidades, confiar e amar incondicionalmente, mas como alguém que tem algo a lhe proporcionar, quer seja prazer sexual ou segurança financeira. O medo de perder estas facilidades é que faz com que ele aja impulsionado pelo ciúme, demarcando o seu território e fincando suas bandeiras. Em seu espaço limitado, o ser amado só tem condições de agir dentro daquilo que ele considera seguro – para si.
         Apesar de todas estas considerações, o ciúme necessita ser visto, também, como parte da nossa condição humana de insegurança e incerteza, como bem atesta o autor supracitado. Faz parte da nossa humanidade sentimo-nos inseguros quanto à diversos aspectos da nossa vida. O ser humano é um ser incompleto, que busca a perfeição e que está muito longe de conhecer-se completamente. Suas origens e seu destino fazem parte de uma nuvem nebulosa que ele é incapaz de penetrar até as suas profundezas. Esta insegurança causa este sentimento de dúvida e medo que imperam em alguns relacionamentos. Quanto mais pleno o ser humano for, mais consciente de si mesmo e do mundo que o cerca; quanto mais completas as leituras que ele pode fazer destas coisas, mas se aproximará de um viver mais seguro, longe da dúvida e perto da segurança. Mas este é um processo longo que pode se estender por toda uma vida. Não devemos ter vergonha de ser assim ou medo de errar, pois isso demonstra que somos humanos. Fortes são os que conseguem reconhecer isto e buscar mudança. Fracos são os que nem se quer se preocupam com estas questões, achando-se fortes e preferindo continuar na condição de inseguros e temerosos.





[1] GIKOVATE, Flávio, Ensaios sobre amor e solidão,  São Paulo, 1998, MG editores, p.128.