quinta-feira, 11 de junho de 2015

UM DIA DEPOIS DO FIM




O sorriso do menino empinando a pipa
A alegria do amante nos braços da amada
A longa caminhada em busca de um ideal
A verdade nunca dita e desacreditada.

O choro da criança recém-nascida
O barulho das buzinas no fim da tarde
A loucura das meninas aplaudindo o show
O desejo pela vida que no peito arde.

Os sonhos espalhados pelo travesseiro
Os remendos maltrapilhos de uma existência
As curvas da mulher banhando-se ao sol
Os motivos que justificam a incompetência.

As folhas que caem num dia de outono
As ideias abstratas de um mundo irreal
As imagens refletidas no espelho da vida
A pose arrogante do homem boçal.

As flechas atiradas contra o alvo
Os tiros disparados na escuridão
As veias explodidas pela droga forte
A ansiedade que antecede a explosão.

O grito da torcida durante uma disputa
As brigas repentinas que surgem no asfalto
A embarcação que busca um porto seguro
O bandido armado que anuncia um assalto.

Os jogos de disputas de quem tem o poder
A resignação daqueles que perderam a fé
A insanidade de uma mente psicopata
Os tabus que sempre estiveram de pé.

A arte da mentira e da falsidade
A busca pelo vil metal que move o mundo
Os braços que se cruzam diante da miséria
As emoções que gritam num ardor profundo.

O sono do detento triste em sua cela
Os túmulos ornados com coroas de flores
As velas que iluminam as imagens de pedra
Os doces apreciados em mais de mil sabores.

Os versos inventados de um poeta louco
A melodia da canção do barqueiro da morte
Os mitos e os ídolos de uma geração
O revés de um lutador que perdeu a sorte.

As coisas descartáveis que enchem as lixeiras
O gosto pela dúvida que não quer calar
As doenças modernas que não mostram cura
Os dejetos que entorpecem e poluem o ar.

A válvula de escape de um mundo confuso
O grito reprimido de uma multidão
As estruturas frias da realidade
O terrorista armado a bordo do avião.

As rezas e as crenças dos religiosos
A sórdida ganância dos homens opressores
A descrença dos ignorantes e dos presunçosos
O brilho da estrela de todos os atores.

Os ditos filosóficos do ateísmo
A teoria equivocada evolucionista
A arte da guerra e os seus generais
A violência cega e burra dos anarquistas.

As histórias contadas antes de dormir
Os hospitais lotados de doentes crônicos
Os passarinhos presos em suas gaiolas
As gargalhadas tristes do artista cômico.

Os lados opostos de uma moeda
Os caminhos impostos pela sobrevivência
As fórmulas complexas da matemática
As desculpas insuficientes da desistência.

Tudo de repente perderá o sentido
As perguntas encontrarão as suas respostas
Os começos chegarão ao fim que escolheram
Cada um comerá da sua mesa posta.

Um dia após o fim é só o começo
Diante da eternidade todos provarão
O resultado do que em vida semearam
Alguns irão sorrir, enquanto outros, não.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A SOLIDÃO




A solidão é um monstro invisível
Que nos lança numa guerra silenciosa e tortuosa
Contra a saudade que sentimos quando estamos
Longe da pessoa que mais amamos
Ou quando estamos cercados da falta de amigos
Por todos os lados.

A solidão é um deserto de areias escaldantes
Onde a sede de amor e atenção
Traz-nos ilusões e miragens, fazendo-nos crer
Naquilo que é irreal para desviar nossos olhos
Da realidade e nos fazer cair desfalecidos.

A solidão é um mar de grandes ondas
Que ferozmente batem contra
A embarcação da nossa esperança
Tentando despedaçar nossos desejos mais profundos.
E como as ondas nunca são as mesmas
Ficamos sem saber como nos defender
Porque não podemos lutar
Contra aquilo que desconhecemos.

A solidão é uma chama que consome
Uma frágil vela que se acende
Na escuridão de nossas vidas
Derretendo nossas fortalezas
E minando pouco a pouco
As nossas fracas resistências.

A solidão é uma prisão sem muros
Onde nos vemos sentenciados a viver
Solitários e ausentes, e de onde muitas vezes
Não temos capacidade de sair.
Tememos o desconhecido mundo lá fora.
Tememos não sermos aceitos e compreendidos.
Tememos a nós mesmos em meio a uma multidão
Que julgamos inimiga e cruel.

A solidão é um sinal de fraqueza
Por não nos acharmos capazes de buscar
Auxílio em outra alma solitária.
Ela é uma fuga para as nossas frustrações
Um escudo contra as responsabilidades
Para com nosso próximo.
É uma forma de nos alienarmos da vida
Do mundo e da história, vivendo sempre
Às margens deles, jamais dentro.
O solitário não é solidário!

A solidão é tudo aquilo que machuca e faz sofrer.
Mas poder ser também a chance
De um momento de reflexão
Onde podemos avaliar nossos pensamentos
Sentimentos, caráter e atitudes
Onde podemos ter um encontro especial com Deus.
Mas devemos saber que para vivermos Deus
Precisamos buscá-lo no próximo
No inimigo e no irmão.

A solidão é uma faca de dois gumes
Uma moeda de duas caras,
Uma rua de mão dupla, um princípio, meio e fim.
Ela contém as respostas para muitas perguntas
Jamais respondidas
Ela denuncia o nosso individualismo
E o nosso egoísmo.

A solidão é muito mais que possamos explicar
Mas uma coisa precisamos ter certeza:
Ninguém é capaz de viver só
Sem compartilhar um pouco de si
Sem doar e receber amor, sem ser ajudado
E ajudar o outro a crescer.
Precisamos sair da caverna da nossa solidão
Pois Deus fez o homem para que ele vivesse em comunidade

E não isolado.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

TÃO PERTO E TÃO DISTANTE




Longe é o perto distante
Quando dois seres amados
Coexistem num mesmo espaço
Respiram do mesmo ar
Compartilham do mesmo chão
Abrigam-se sob o mesmo teto
E por uma ventura do destino
Ou um desatino da vida
Estão distantes um do outro.
Longe é quando os braços
Que poderiam se abraçar afetuosos
Sequer conseguem se tocar
Quando os olhos não se fitam
Tentando enxergar coisa alguma
Na alma de quem está ali
Bem à sua frente.
Estar verdadeiramente longe
É quando o amor já não há
Quando as palavras nada dizem
E a boca se cala, emudece
Sem palavras de afeto ou elogios
Sem conselhos e declarações
Que outrora diziam: eu te amo.
O longe se encontra nos passos
Que seguem em direções opostas
Mesmo caminhando lado a lado
Quando os sonhos não se encontram
Os planos não se completam
As metas não se convergem
E os dois seguem em frente
Sem perceber a enorme distância
O imenso abismo que os separa.
Que tão duro longe é
O perto por mero costume
A união forçada pela dor
De existir simplesmente por existir
Esperando chegar o fim da vida
Onde, talvez, próximos estarão
Na sepultura que lhes restou
Após uma vida tristemente distantes
Onde nem um nem outro
Jamais amou.


ESTE POEMA VOCÊ ENCONTRA NO MEU LIVRO:


A LUA




Como olhar para o céu e contemplar a lua
Se ela só e lembra você?
É tortura lembrar que essa lua
Que agora brilha no céu
Já foi testemunha dos momentos
Mais doces da minha vida
Quando, contemplando no céu o luar
Nos beijávamos
E, abraçados, celebrávamos o nosso amor.
Olhar para a lua é lembrar
De todas as fases do teu viver
E de todas as coisas mais preciosas
Que se descortinavam na lua cheia
Nossos sonhos encantados
Nossos planos abençoados
De fazer da nossa vida um eterno luar
Com um brilho impossível de apagar.
A lua é agora para mim
Uma página que não quer ser virada
E insiste em aparecer mansamente
No céu do meu coração
E por mais que eu tente fechar os olhos
E fingir que ela não está lá
Essa lua está sempre presente
Talvez me lembrando de que sempre haverá
Um dia após o outro
E mesmo que haja nuvens no céu
Mesmo que a escuridão encubra
O seu brilho esplendoroso e belo
Ela estará sempre brilhando para mim
Sempre no seu lugar
Sinalizando a esperança de talvez
Brilhar outra vez para nós dois.


ESTE POEMA VOCÊ ENCONTRA NO MEU LIVRO:


O TEMPO




O tempo descobre todas as coisas
E mostra a verdade:
A verdade do meu amor por você
E a certeza do teu amor por mim.
O tempo prova se as palavras que foram ditas
Eram apenas palavras
Ou se traduziam aquilo que, sem palavras,
Conseguimos explicar com um olhar
Quando nos encontramos
E permitimos que o silêncio fale
Tudo aquilo que necessita ser dito.

O tempo se encarrega de mostrar
O que é feito de palha
E que o vento espalha ou o fogo queima
Ou aquilo que é feito de ouro
Que no calor do mais intenso fogo
Torna-se cada vez mais precioso.
O tempo legitima o sentimento
E deixa claro se aquilo que sentimos é real
Ou apenas fruto de uma ilusão
Se perdura mesmo em meio às provações
Ou se na primeira dificuldade
Se dissipa como o orvalho ao amanhecer.

O tempo insiste no seu avanço
E quer mostrar que o amor
Não é como a chama de uma vela
Que com um sopro se desfaz
Mas é intenso como a luz do sol
Onde as trevas não podem alcançar.
O tempo prova todas as coisas
E prova o amor que sentimos um pelo outro
Se é para sempre e mais além
Ou se é apenas o avançar dos ponteiros
Em um relógio cuja corda
Está prestes a acabar.

ESTE POEMA VOCÊ ENCONTRA NO MEU LIVRO:



TEU APENAS




Quero declamar-te nos meus versos
Aurora de minha existência
Declarar aos quatro ventos o amor
Que por ti explode em meu peito.
Quero aconchegar-te nos meus braços
Como criança recém-nascida
Embalar-te em teu sono de menina
E sonhar teus sonhos de mulher.
Quero regar-te, minha flor pequena
Para ver-te crescer linda
Inebriar-me com teu doce perfume
E suspirar por tuas pétalas macias.
Quero entregar-te minha alma
E em teu coração fazer morada
Cuida de mim, oh doutora da paixão
Pois tu és o meu bálsamo de amor.
Quero abastecer-me nos teus beijos
E saciar-me nos teus abraços
És um oceano de ternura e encanto
Uma fonte inesgotável de singeleza.
Quero amar-te como a vida deve ser
Oh, doce chama da alegria!
Sem anelar pela distância que aniquila
Sem ansiar pela ausência que angustia.
Quero doravante alegrar-te
Com o pulsar de um ser amado
E para sempre estar imerso
Em teus rios há muito desejados.
Quero findar estes versos cálidos
Suspirando pela tua existência
Ah, minha adorada estrela cintilante

Hoje e sempre sou teu apenas.


ESTE POEMA FAZ PARTE DO MEU LIVRO:


UM "FELIZ SEM FINAL" PARA MIM




O tempo se arrasta lentamente em minha vida
E o passado distancia-se cada vez mais.
O futuro aos poucos se descortina
E quando olho o presente em minhas mãos
Vejo que tudo aquilo que sonhei
Todas as coisas que ardentemente desejei
Vão-se embora com o tempo que passa
Transformando o meu futuro em pesar.

Hoje relembro as emoções do passado
Como cenas de um livro de fantasias
Onde o príncipe sempre se casa com a princesa
E os dois vivem felizes para sempre.
E me pergunto: Onde está o meu “para sempre”?
Onde está o final feliz da minha história?
Não vejo fadas, encantos ou canções
Apenas uma realidade que me assalta.

Então, se não posso mover o tempo
Se não posso transformar a minha história
Em um eterno momento do passado
E colocar nela um “feliz sem final”
Talvez eu deva esquecer o que passou
Refazer o meu caminho, reconstruir minha vida
E me acostumar com o fato triste
De que nunca mais terei você para mim.


ESTE POEMA VOCÊ ENCONTRA NO MEU LIVRO: